segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Verdade

A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.

Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
diferentes uma da outra.

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.


Carlos Drummond de Andrade
http:poesia
Foto: herc

6 comentários:

avelaneiraflorida disse...

Carlos Drummond de Andrade!!!!

Que bela escolha, amiga Fátima!!!!

E a porta?!!! UM assombro!!!!

BJKS

Fátima disse...

Bigada, amiga!
Este poema tem muito de mim...

:-) beijinhos

Sophiamar disse...

Drummond de Andrade um poeta de excelência.

Beijinhos

oceanus disse...

..." mar azul"...

gostei muito deste teu espaço...
pelo nome, pelos temas, pelas fotos...

boa escolha!

obrigada!

beijinhos do fundo do Oceanus

Fátima disse...

Sophiamar,

Obrigado pela visita, volta sempre.

:-) Beijinhos

Fátima disse...

Oceanus,

Muito obrigado é sempre um gosto partilhar momentos, volta sempre.

:-) beijo do mar azul