quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Prémio Visitante

Bom!... Recebi esta menção...
Cabe-me agora partilhar, com aqueles que me acompanham neste meu cantinho, e agradecer deste já todo o carinho e tudo o que de bom aprendi.

IMAGINENS ; A Minha Matilde & Cª ; O Silêncio Culpado ; CANTARES DE AMIGO ; Sophiamar ; Oceanus ; Barão Van Blogh ; O PROFETA ; MURMURIOS ; GUI ; Caminho dos Versos .

Um abraço para todos os amigos que mencionei e para todos aqueles que espero vir a conhecer e partilhar sentimentos de vida.

Obrigada

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Cesário Verde


Ao entardecer, debruçado pela janela,
E sabendo de soslaio que há campos em frente,
Leio até me arderem os olhos
O livro de Cesário Verde.

Que pena que tenho dele! Ele era um camponês
Que andava preso em liberdade pela cidade.
mas o modo como olhava para as casas,
E o modo como reparava nas ruas,
E a maneira como dava pelas causas,
É o de quem olha para as árvores,
E de quem desce os olhos pela estrada por onde vai andando
E anda a reparar nas flores que há pelos campos...

Por isso ele tinha aquela grande tristeza
Que ele nunca disse que tinha,
Mas andava na cidade como quem anda no campo
E triste como esmagar flores em livros
E pôr plantas em jarros...

Alberto Caeiro, O QUARDADOR DE REBANHOS, Poema III, in Obra de Fernando Pessoa, vol. I, Lello & Irmão - Editores, Porto, 1986
http:Poesia
Foto: http:Carlos Carvalho

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Verdade

A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.

Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
diferentes uma da outra.

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.


Carlos Drummond de Andrade
http:poesia
Foto: herc

domingo, 23 de setembro de 2007

Um Mimo a Marcel Marceau

http://www.youtube.com

COMO POETAR


Para poetar um poema,
pense, não tema...
Para escrever um poema,
não existe dilema...
Amor sempre será o tema...
Querida, não tema,
porque o lema
do poeta, e sua suprema
alegria, é escrever um poema...
Seja a beleza de um amor,
um quente abraço,
um gostoso amasso...
Seja a tristeza do desamar,
um gosto de saudade
a fuga da felicidade...
Seja a natureza em festa,
e a alegria que a alma infesta...
Seja algo que apenas
mostre que na vida há penas...
sempre teremos uma poesia,
contando algo do dia...


Marcial Salavery
http:Poema

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

"Poema Azul"



Eu hoje estou azul! Nas minhas mãos nervosas
Os dedos são azuis, longos e delicados.
O perfume é azul nas pérolas de rosas
Como o sumo é azul nos frutos sazonados.

Azul sem dimensão, do polo Norte ao Sul,
Cai nas águas do mar, nas distâncias sem fim,
E eu toda me deslumbro olhando o intenso azul
- Que na curva do Céu, nunca houve um azul assim.
O mundo, em derredor, em doida convulsão,
lateja o mesmo tom em tom mais destemido.
Até a própria noite ainda em formação
Tem um nítido gosto a azul inconcebido.
Do mais sombrio vale à serra mais erguida,
Alagando extensões e seares e pauis,
A estrebuchar de cor, é azulada a vida,
Porque o tempo, do azul, faz as horas azuis
O azul impõe-se, alastra, exorbita-se, é rei:
Transborda cada vaga, inunda cada palma...
De tudo ser azul (tão azul:) eu nem sei
Se o meu corpo é azul ou se é azul minha alma.

Bem no fundo de mim, num azul em demência
Que se alteia em cachões hora a hora mais loucos,
Esta saudade enorme e que é negra de ausência,
Dentro do coração vai azulando aos poucos.
Porque a cor é mais cor e subjuga de excesso,
Há pedaços de Céu desfolhados nos charcos
E nos cais pedra-azul, quando a hora é de regresso,
tem um quê de azulino a chegada dos barcos.
Azul pelos desvãos, em todas as alturas...
Não há sítio nenhum onde se não concentre.
De tudo ser azul, até as mães futuras
Setem gestos azuis a germinar no ventre.
Vão-se tornando azuis as verdades e os sonhos
Sem pedir a ninguém licença nem conselho...
No corpo do pomar, a carne dos medronhos
Tem um sabor azul que se tornou vermelho.
Azul que se distende ao longo do jardim;
Que vive na raiz e em cor se realizou.

Um azul tão azul, que nunca terá fim,
Como, de tão azul, nunca principiou.
Azul do abismo fundo à cor dos Infinitos
Sem o deter ninguém, sem nada que o anule.
Azul os mundos e eu e os santos e os malditos,
Azul sempre maior, em turbilhões, aos gritos,
Azul o próprio Deus que fez o azul, azul.


(Resposta de Maria Helena ao Poema de JG de Araujo Jorge do livro "De Mãos Dadas" 1ª edição 1961.)

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

De quantas graças tinha, a Natureza



De quantas graças tinha, a Natureza
Fez um belo e riquíssimo tesouro,
E com rubis e rosas, neve e ouro,
Formou sublime e angélica beleza.

Pôs na boca os rubis, e na pureza
Do belo rosto das rosas, por quem mouro;
No cabelo o valor do metal louro;
No peito a neve em que a alma tenho acesa.

Mas nos olhos mostrou quanto podia,
E fez deles um sol, onde se apura
A luz mais clara que a do claro dia.

Enfim, Senhora, em vossa compostura
Ela a apurar chegou quando sabia
De ouro, rosas, rubis, neve e luz pura.

Luís de Camões

Gustavo Adolfo Bécquer

Enquanto houver uns olhos que refectem
outros olhos que os fitam,
enquanto a boca responda a suspirar
aos lábios que suspiram,
enquanto sentir-se possam ao beijar-se
duas almas confundidas,
enquanto exista uma mulher formosa,
haverá poesia!

http:Poesia

Miguel Torga

Sei um ninho.
E o ninho tem um ovo.
E o ovo, redondinho.
Tem lá dentro um passarinho
Novo.

Mas escusam de me atentar:
Nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino
E guardar
Este segredo comigo.
E ter depois um amigo
Que faça o pino
A voar...


http:Poesia

domingo, 9 de setembro de 2007

Gota de Água

Eu, quando choro,
não choro eu.
Chora aquilo que nos homens
em todos o tempo sofreu.
As lágrimas são as minhas
mas o choro não é meu.

António Gedeão
http:Poetas

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

O Rio


Uma gota de chuva
A mais, e o ventre grávido
Estremeceu, da terra.
Através de antigos
Sedimentos, rochas
Ignoradas, ouro
carvão, ferro e mármore
Um fio cristalino
Distante milénios
Partiu fragilmente
Sequioso de espaço
Em busca de luz.

Um rio nasceu.


Vinicius de Maraes
http:Poesia

Soneto da Fidelidade

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quanto mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama.

Eu possa (me) dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Vinicius de Moraes
http:Poesia

Pensamentos



Quando calada, me encontro, sonhando com as mais belas paisagens que vi...
antes que se faça tarde, volto atrás no tempo, e recordo as mais belas imagens que vivi...
os encantos encontrados tão longe de mim...
as vidas com que me cruzei, os sonhos nos olhos dos outros, o desafio...
a minha vida... eu...

Fátima


Na natureza,
uma diferença
na forma traz geralmente
uma diferença na função.

B. Kisch


Um suspiro para o que foi
e um sorriso para o que será: eis a Vida.

Bourguet

domingo, 2 de setembro de 2007

sábado, 1 de setembro de 2007

Arte na Natureza

Um poudo de PAZ!

Vídeos

Jardins Felizes


Dos jardins felizes da minha infância,

eras tu a flor que eu mais gostava,

olhavas para mim com ternura,

não dizias nada...

mas sentia a firmeza do teu encanto.


Dos jardins felizes da minha infância,

eras aquela que me ouvia,

e com esse ar tão puro,

enchias de alegria a minha vida.


Visitava-te todos os dias,

e sorria para ti.

Eras o sol da minha vida,

a minha alegria de viver

o alento para seguir em frente.


Amava-te a ti, só a ti...

Dos jardins felizes da minha infância!


Fátima

Fernando Pessoa

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