sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Plano


Trabalho o poema sobre uma hipótese: o amor
que se despeja no copo da vida, até meio, como se
o pudéssemos beber de um trago. No fundo,
como o vinho turvo, deixa um gosto amargo na
boca. Pergunto onde está a transparência do
vidro, a pureza do líquido inicial, a energia
de quem procura esvaziar a garrafa; e a resposta
são estes cacos que nos cortam as mãos, a mesa
da alma suja de restos, palavras espalhadas
num cansaço de sentidos. Volto, então, à primeira
hipótese. O amor. Mas sem o gastar de uma vez,
esperando que o tempo encha o copo até cima,
para que o possa erguer à luz do teu corpo
e veja, através dele, o teu rosto inteiro.

10 comentários:

avelaneiraflorida disse...

E apetece beber deste copo!!!!

palavras lindas!

Brigados, amiga!!!!
Bjkas!!!!

marias disse...

Belas palavras!...

O amor não deve gastar-se todo de uma vez...para que não haja cacos que nos cortam as mãos...constrói-se pouco a pouco, dia a dia, e é assim que de pequenos nadas se torna forte, grande, indestrutível!...

Beijinhos

efvilha disse...

Um corpo, qualquer que seja, pode ser reduzido ao volume de um copo.
Já não se pode dizer o mesmo da alma, da qual o amor é continente, e conteúdo.

O meu abraço de Paz.

Oliver Pickwick disse...

Bonitas amalogias, Fátima! Fizeste bem em publicá-lo.
"...Mas sem o gastar de uma vez,
esperando que o tempo encha o copo até cima,..."
Beijos, e uma boa semana!

Tiago R Cardoso disse...

Um bonito momento, sem duvida...

Gui disse...

Quando se trata de amor o melhor é encher o copo. Se deixar um fundo amargo pelo menos o gosto saboroso durou mais tempo. Esperar que o tempo encha o compo? Acho que não. Vamos enchê-lo logo e depois cuidar para que o tempo não azede o seu conteúdo. Mas isto sou eu a dizer. Um beijo

Miss Vader disse...

... o melhor é irmos bebendo devagar ... devagarinho, para saborear ...

Crítica e denúncia disse...

Menina linda eu te adoro ô ô ô ...vim te ler e dizer que este poema é filosofia pura. Que lindo! Agora queres um segredinho? Eu e o amor estamos às avessas. Só se for paixão e for ela quem me pegar...do contrário não quero amar nunca mais.
Beijo grande de amizade sincera.
Alda Inacio

quintarantino disse...

... um raro momento de beleza e magia ... tal como o amor ... a saborear com conta, peso e medida!

oceanus disse...

...uma boa escolha, sem dúvida!

Bjs do fundo do Oceanus