terça-feira, 30 de outubro de 2007
sábado, 27 de outubro de 2007
A Menina do Farol

Todas as tardes a Menina sentava-se junto ao Farol, ficava quieta, pensava!
A sua vida era dividida entre a casa e a escola...quem sabe se iria ali à procura de um pouco de paz, tranquilidade, conforto. A imensidão do mar dava-lhe alento, a adoração por aquela construção solitária, era para ela o escape do mundo real... Ficava ali durante muito tempo, quem sabe desabafando... contando as suas amarguras e desalentos a sua tristeza ou a sua alegria...
O Farol ouvia-a escutava-a e confortava-a com a sua altivez e o seu silêncio.
Era tão importante aquele tempo de cumplicidade, a Menina e o Farol...
Mas a certa altura a Menina deixou de aparecer e o Farol ficava ali só...sentindo o mar, o céu, o vento, mas... Agora só!
Tal como a Menina, também eu gosto da magia, do encanto que tem o Farol, agora até eu vou visitá-lo, nada sei sobre o que aconteceu à Menina, mas garanto que sinto... sinto o que ela sentia... a vida continua... e o Farol está sempre ali para aconchegar o coração daqueles que sentem a sua importância.
Quanto à Menina, gostava de a encontrar, falar-lhe, partilhar com ela toda esta magia e quem sabe sermos amigas... assim como eu sou... Amiga do Farol!
Fátima
Foto: Olhares.com
Autor: Miguel Afonso
Mais um Desafio

A amiga CANTARES DE AMIGO mandou-me ler!
BOA!!! Adoro ler!
BOA!!! Adoro ler!
Mas disse:
1- Pegar num livro que tenham à mão... não vale procurar,
2- Abri-lo na página 161,
3- Procurar a 5ª frase completa,
4- Postá-la no vosso blog,
5- Passar a Maria a 5 bloggers,
6- É proibido ir buscar o melhor livro, nem é postar a frase que acharem mais interessante,
7- Divulgar o nome e o autor do livro.
Então:
"É este o prato principal."
O Codex 632 de José Rodrigues dos Santos,
Gradiva publicações, lda.
Agora passo o testemunho:
Murmúrios, O Sibarita, Oliver Pickwick, O Profeta, Fernanda & Poemas
quinta-feira, 18 de outubro de 2007
Segui a PISTA
Your Blog Should Be Yellow |
You're a cheerful, upbeat blogger who tends to make everyone laugh. You are a great storyteller, and the first to post the latest funny link. You're also friendly and welcoming to everyone who comments on your blog. |
quarta-feira, 17 de outubro de 2007
sábado, 13 de outubro de 2007
sexta-feira, 12 de outubro de 2007
O Meu Palácio
Pedra a pedra, construí um paláciopara o meu primeiro amor
pus um tapete vermelho
e esperei-o como um espelho
que reflecte a preto e branco
amei-o tanto
sem cor
O príncipe chegou
e quando pressentiu
que eu talvez fosse pedra
fugiu
Frase a frase construí um palácio
para o meu segundo amor
entre as rimas de um soneto
um retrato a branco e preto
que nos julgava mortais
amei-o mais
que a dor
O príncipe chegou
e quando pressentiu
que eu talvez fosse um verso
fugiu
No meu corpo vou construindo um palácio
como quem vê o sol pôr
feito apenas dos meus passos
dos desejos e abraços
que nos fazem não ter fim
amo-te sim
amor
O príncipe chegou
e quando pressentiu
que eu era uma mulher
sorriu.
Jorge Palma
domingo, 7 de outubro de 2007
PAZ
sábado, 6 de outubro de 2007
quinta-feira, 4 de outubro de 2007
Pequenas Coisas
Falar do trigo e não dizer
o joio. Percorrer
em voo raso os campos
sem pousar
os pés no chão. Abrir
um fruto e sentir
no ar o cheiro
a alfazema. Pequenas coisas,
dirás, que nada
significam perante
esta outra, maior: dizer
o indizível. Ou esta:
entrar sem bússola
na floresta e não perder
o rumo. Ou essa outra, maior
que todas e cujo
nome por precaução
omites. Que é preciso,
às vezes,
não acordar o silêncio.
Albano Martins
Escrito a vermelho
Campo de letras
1999
1ª edição
o joio. Percorrer
em voo raso os campos
sem pousar
os pés no chão. Abrir
um fruto e sentir
no ar o cheiro
a alfazema. Pequenas coisas,
dirás, que nada
significam perante
esta outra, maior: dizer
o indizível. Ou esta:
entrar sem bússola
na floresta e não perder
o rumo. Ou essa outra, maior
que todas e cujo
nome por precaução
omites. Que é preciso,
às vezes,
não acordar o silêncio.
Albano Martins
Escrito a vermelho
Campo de letras
1999
1ª edição
segunda-feira, 1 de outubro de 2007
quinta-feira, 27 de setembro de 2007
Prémio Visitante
Bom!... Recebi esta menção...Cabe-me agora partilhar, com aqueles que me acompanham neste meu cantinho, e agradecer deste já todo o carinho e tudo o que de bom aprendi.
IMAGINENS ; A Minha Matilde & Cª ; O Silêncio Culpado ; CANTARES DE AMIGO ; Sophiamar ; Oceanus ; Barão Van Blogh ; O PROFETA ; MURMURIOS ; GUI ; Caminho dos Versos .
Um abraço para todos os amigos que mencionei e para todos aqueles que espero vir a conhecer e partilhar sentimentos de vida.
Obrigada
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
Cesário Verde

Ao entardecer, debruçado pela janela,
E sabendo de soslaio que há campos em frente,
Leio até me arderem os olhos
O livro de Cesário Verde.
Que pena que tenho dele! Ele era um camponês
Que andava preso em liberdade pela cidade.
mas o modo como olhava para as casas,
E o modo como reparava nas ruas,
E a maneira como dava pelas causas,
É o de quem olha para as árvores,
E de quem desce os olhos pela estrada por onde vai andando
E anda a reparar nas flores que há pelos campos...
Por isso ele tinha aquela grande tristeza
Que ele nunca disse que tinha,
Mas andava na cidade como quem anda no campo
E triste como esmagar flores em livros
E pôr plantas em jarros...
Alberto Caeiro, O QUARDADOR DE REBANHOS, Poema III, in Obra de Fernando Pessoa, vol. I, Lello & Irmão - Editores, Porto, 1986
http:Poesia
Foto: http:Carlos Carvalho
segunda-feira, 24 de setembro de 2007
Verdade
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.
Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.
Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
diferentes uma da outra.
Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.
Carlos Drummond de Andrade
http:poesia
Foto: herc
domingo, 23 de setembro de 2007
COMO POETAR
Para poetar um poema,
pense, não tema...
Para escrever um poema,
não existe dilema...
Amor sempre será o tema...
Querida, não tema,
porque o lema
do poeta, e sua suprema
alegria, é escrever um poema...
Seja a beleza de um amor,
um quente abraço,
um gostoso amasso...
Seja a tristeza do desamar,
um gosto de saudade
a fuga da felicidade...
Seja a natureza em festa,
e a alegria que a alma infesta...
Seja algo que apenas
mostre que na vida há penas...
sempre teremos uma poesia,
contando algo do dia...
Marcial Salavery
http:Poema
segunda-feira, 17 de setembro de 2007
"Poema Azul"

Eu hoje estou azul! Nas minhas mãos nervosas
Os dedos são azuis, longos e delicados.
O perfume é azul nas pérolas de rosas
O perfume é azul nas pérolas de rosas
Como o sumo é azul nos frutos sazonados.
Azul sem dimensão, do polo Norte ao Sul,
Cai nas águas do mar, nas distâncias sem fim,
E eu toda me deslumbro olhando o intenso azul
- Que na curva do Céu, nunca houve um azul assim.
O mundo, em derredor, em doida convulsão,
lateja o mesmo tom em tom mais destemido.
Até a própria noite ainda em formação
Tem um nítido gosto a azul inconcebido.
Do mais sombrio vale à serra mais erguida,
Alagando extensões e seares e pauis,
A estrebuchar de cor, é azulada a vida,
Porque o tempo, do azul, faz as horas azuis
O azul impõe-se, alastra, exorbita-se, é rei:
Transborda cada vaga, inunda cada palma...
De tudo ser azul (tão azul:) eu nem sei
Se o meu corpo é azul ou se é azul minha alma.
Bem no fundo de mim, num azul em demência
Que se alteia em cachões hora a hora mais loucos,
Esta saudade enorme e que é negra de ausência,
Dentro do coração vai azulando aos poucos.
Porque a cor é mais cor e subjuga de excesso,
Há pedaços de Céu desfolhados nos charcos
E nos cais pedra-azul, quando a hora é de regresso,
tem um quê de azulino a chegada dos barcos.
Azul pelos desvãos, em todas as alturas...
Não há sítio nenhum onde se não concentre.
De tudo ser azul, até as mães futuras
Setem gestos azuis a germinar no ventre.
Vão-se tornando azuis as verdades e os sonhos
Sem pedir a ninguém licença nem conselho...
No corpo do pomar, a carne dos medronhos
Tem um sabor azul que se tornou vermelho.
Azul que se distende ao longo do jardim;
Que vive na raiz e em cor se realizou.
Um azul tão azul, que nunca terá fim,
Como, de tão azul, nunca principiou.
Azul do abismo fundo à cor dos Infinitos
Sem o deter ninguém, sem nada que o anule.
Azul os mundos e eu e os santos e os malditos,
Azul sempre maior, em turbilhões, aos gritos,
Azul o próprio Deus que fez o azul, azul.
(Resposta de Maria Helena ao Poema de JG de Araujo Jorge do livro "De Mãos Dadas" 1ª edição 1961.)
quarta-feira, 12 de setembro de 2007
De quantas graças tinha, a Natureza

Fez um belo e riquíssimo tesouro,
E com rubis e rosas, neve e ouro,
Formou sublime e angélica beleza.
Pôs na boca os rubis, e na pureza
Do belo rosto das rosas, por quem mouro;
No cabelo o valor do metal louro;
No peito a neve em que a alma tenho acesa.
Mas nos olhos mostrou quanto podia,
E fez deles um sol, onde se apura
A luz mais clara que a do claro dia.
Enfim, Senhora, em vossa compostura
Ela a apurar chegou quando sabia
De ouro, rosas, rubis, neve e luz pura.
Luís de Camões
Gustavo Adolfo Bécquer
Enquanto houver uns olhos que refectem
outros olhos que os fitam,
enquanto a boca responda a suspirar
aos lábios que suspiram,
enquanto sentir-se possam ao beijar-se
duas almas confundidas,
enquanto exista uma mulher formosa,
haverá poesia!
http:Poesia
outros olhos que os fitam,
enquanto a boca responda a suspirar
aos lábios que suspiram,
enquanto sentir-se possam ao beijar-se
duas almas confundidas,
enquanto exista uma mulher formosa,
haverá poesia!
http:Poesia
Miguel Torga
Sei um ninho.
E o ninho tem um ovo.
E o ovo, redondinho.
Tem lá dentro um passarinho
Novo.
Mas escusam de me atentar:
Nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino
E guardar
Este segredo comigo.
E ter depois um amigo
Que faça o pino
A voar...
http:Poesia
E o ninho tem um ovo.
E o ovo, redondinho.
Tem lá dentro um passarinho
Novo.
Mas escusam de me atentar:
Nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino
E guardar
Este segredo comigo.
E ter depois um amigo
Que faça o pino
A voar...
http:Poesia
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